Tenistas estrangeiros investigados por racismo em SC são autorizados pela Justiça a voltar para seus países
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Tenista imita macaco em quadra após derrota em torneio em SC
Reprodução
Os dois tenistas estrangeiros investigados por injúria racial durante um campeonato em Itajaí (SC), em janeiro, tiveram as medidas cautelares retiradas e terão que pagar caução de R$ 20 mil, ao todo, decidiu o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Com isso, os homens poderão voltar para seus países de origem — Venezuela e Colômbia.
A decisão é decorrente de um pedido de Habeas Corpus feito pela defesa dos tenistas, que foram presos em 22 de janeiro e soltos no dia seguinte. Eles tiveram os passaportes apreendidos e passaram a ser monitorados eletronicamente.
A desembargadora Andrea Cristina Rodrigues Studer citou, no texto, que os dois vêm cumprindo as condições impostas pela justiça brasileira e que "a manutenção da medida tão gravosa, que impede o exercício de sua profissão e os mantém em um país estrangeiro com custos elevados, começa a adquirir contornos de antecipação de pena".
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A decisão, segundo o TJSC, fica condicionado ao cumprimento das seguintes medidas:
Pagamento de caução: R$ 5 mil de Cristian Camilo Rodrigues Sanches e R$ 15 mil de Luis David Martinez Garcia, valores acrescidos de 20% para cobrir eventuais custas do processo.
Assinatura de termo de compromisso: os investigados devem comparecer, por videoconferência, a todos os atos do processo quando forem convocados pela Justiça e manter seus endereços, e-mails e números de telefone sempre atualizados nos autos.
O Ministério Público de Santa Catarina se manifestou, em publicação na segunda-feira (9), contrário à decisão (veja mais abaixo). O g1 tenta contato com a defesa deles.
O que diz a decisão?
A decisão da relatora considerou três pontos: proporcionalidade das medidas cautelares, risco concreto à instrução e à aplicação da lei penal e garantia da reparação do dano.
"É inegável a extrema gravidade social dos fatos narrados na denúncia. Contudo, o processo penal não pode se valer de suas ferramentas acautelatórias para impor, por via transversa, uma punição antes do trânsito em julgado de uma sentença condenatória. A documentação anexa demonstra de forma cabal que a carreira dos pacientes, que são atletas profissionais de alto rendimento, está sendo severamente prejudicada. Esta situação fática impõe uma dupla penalidade: a processual e a profissional, esta última de consequências potencialmente irreversíveis, o que fere o princípio da presunção de inocência", citou.
Segundo a decisão, o receio inicial de fuga, levantado por eles serem estrangeiros, perdeu força diante do comportamento adotado durante o processo até agora. Além disso, o argumento de que a ausência física poderia prejudicar o andamento do caso também foi relativizado, já que os dois se comprometeram a participar de videoconferências.
O que diz o Ministério Público?
O MPSC se manifestou contrário à decisão. De acordo com o documento, "permitir que os pacientes estrangeiros saíam do país pode gerar dano irreversível à aplicação da lei penal, sobretudo diante dos indícios de que estes não retornariam espontaneamente para se submeter aos efeitos de eventual condenação".
"Embora o impetrante sustente que os pacientes possuem carreira consolidada e dependem financeiramente do esporte, os fatos investigados ocorreram, justamente, no exercício dessa atividade esportiva, revelando a gravidade concreta da conduta", cita a manifestação.
Tenistas estrangeiros são presos por injúria racial em SC após derrota em torneio
O que aconteceu?
O crime aconteceu na tarde de 22 de janeiro durante o Itajaí Open de Tênis, realizado no Clube Itamirim, em Itajaí, Litoral Norte catarinense.
O colombiano Cristian Rodriguez, segundo a denúncia, ofendeu um funcionário do clube, chamando-o de "macaquito de merda". O venezuelano Luis David Martínez fez gestos imitando um macaco, coçando as axilas, em direção ao público
Tenistas estrangeiros são presos por injúria racial ao imitar e chamar funcionário de macaco
Os xingamentos e ofensas racistas foram registrados por espectadores, que acionaram a polícia. Os dois foram presos após deixarem o local e irem para o hotel onde estavam hospedados.
Após as atitudes racistas, os dois tenistas foram detidos pela Polícia Militar e levados à delegacia, onde foram presos em flagrante.
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